343 fundos de VC no Brasil. 87% estão em São Paulo. Uma concentração geográfica que nunca diminui — mesmo quando o ecossistema explode.
Antes de 2010, o ecossistema de VC brasileiro era minúsculo. Menos de 50 fundos existiam, muitos eram braços de bancos tradicionais ou gestoras de private equity testando o modelo.
Nomes como Monashees (1999), DGF Investimentos (2001) e Astella (2008) foram os primeiros a apostar exclusivamente em startups. Quase todos nasceram na Faria Lima ou arredores.
Já nessa fase, a concentração em SP era visível — mas com tão poucos fundos, parecia natural. Afinal, era onde estavam os LPs e as primeiras startups.
Com o sucesso de startups como Nubank, iFood e 99, uma nova geração de fundos surgiu. Aceleradoras como ACE e Startup Farm criaram pipelines de deal flow.
70 novos fundos foram criados nesse período. A concentração em SP aumentou para 86% — conforme o ecossistema crescia, mais fundos escolhiam São Paulo, não menos.
Fora de SP, apenas Florianópolis (com Apex Partners e Darwin Startups) começou a formar um mini-cluster.
O boom de venture capital global atingiu o Brasil em cheio. Entre 2016 e 2021, o número de fundos mais que dobrou. O SoftBank chegou, a Canary cresceu, e dezenas de novos gestores surgiram.
Só em 2019, 37 novos fundos foram criados — 34 em São Paulo. A concentração atingiu 90%.
Essa é a descoberta surpreendente: quando o ecossistema explodiu, a gravidade de SP não diminuiu. Ela aumentou.
Ano após ano, a porcentagem de novos fundos em São Paulo permanece altíssima. Nos anos de maior crescimento — 2012, 2014, 2016, 2019 — a participação de SP chegou a 92-100%.
Mesmo nos anos "menos concentrados" (2003, 2013), São Paulo ainda tinha a maioria absoluta dos novos fundos.
Para comparação: nos EUA, a Bay Area responde por ~25% dos fundos de VC. Em SP, são 87%. Três vezes mais concentrado.
Dos 343 fundos mapeados, apenas 45 estão fora de SP. Muitos são braços de venture de grandes corporações regionais:
O padrão é claro: fundos fora de SP existem, mas são exceções — geralmente ligados a operações industriais regionais ou financiamento público.
A mediana de fundação dos fundos brasileiros é 2017. Mais da metade do ecossistema tem menos de 10 anos.
O boom se concentrou entre 2016 e 2021 — e em cada período, São Paulo dominou. Dos 156 fundos criados nesse intervalo, 90% nasceram na capital paulista.